Nossa atenta leitora Meiriele nos alertou que o novo acordo ortográfico foi adiado. De acordo com o Diário Oficial da União a nova data para que o acordo entre em vigor é 1º de janeiro de 2016. (Fonte: Portal Brasil)

É fundamental que você vestibulando esteja atento a essas alterações, pois é necessário incorporá-las progressivamente.

É bom manter materiais de consulta sempre à mão e procurar usar versões recentes de corretores de textos no computador.

Entre as mudanças na língua portuguesa ocasionadas pela reforma ortográfica, podem-se citar algumas mais importantes como o fim do trema, mudanças na forma de acentuar palavras com ditongos abertos e hiatos, suspensão dos acentos diferenciais e dos acentos tônicos, alterações no emprego do hífen e inclusão das letras w, k e y ao idioma.

O que motivou o novo acordo

A intenção de unificar a língua portuguesa é antiga entre os países em que ela é o idioma oficial. A primeira tentativa de acordo ortográfico aconteceu em 1931, mas ele acabou não sendo efetivado na prática. Já em 1945, a Convenção Ortográfica Luso-Brasileira foi adotada em Portugal, mas não foi efetivada no Brasil.

Em mais uma tentativa frustrada, em 1986 consolidaram-se as Bases Analíticas da Ortografia Simplificada da Língua Portuguesa de 1945 entre os 7 países de língua portuguesa (exceto Timor-Leste que se tornaria independente apenas no ano de 2002), porém não foram implementadas.

Apesar do comprometimento dos países de língua portuguesa em unificar a grafia da língua em 1990, segundo a proposta apresentada pela Academia de Ciências de Lisboa e pela Academia Brasileira de Letras, somente 16 anos depois as 3 adesões necessárias para o acordo foram concretizadas. Em 2006, São Tomé e Príncipe e Cabo Verde se uniram ao Brasil e ratificaram o novo acordo. Apesar disso, Portugal ainda apresentava uma grande relutância às mudanças. Em maio de 2008 o Parlamento português ratificou o acordo para unificar a ortografia em todas as nações de língua portuguesa.

Principais mudanças na língua

1 – Acento agudo

- Deixa de existir nos ditongos (encontro de duas vogais em uma só sílaba) abertos “ei” e “oi” das palavras paroxítonas (que têm a penúltima sílaba pronunciada com mais intensidade).

Exemplos:  heróico   heroico
assembléia   assembleia

Observação: as oxítonas (com acento na última sílaba) e os monossílabos tônicos terminados em “éi”, “éu” e “ói”, no singural e plural (anéis, chapéu e herói) continuam com acento.

- Desaparece nas paroxítonas com “i” e “u” tônicos que formam hiato (sequência de duas vogais que pertencem a sílabas diferentes) com a vogal anterior, que, por sua vez, faz parte de um ditongo.

Exemplo:  feiúra   feiura

Observação: as vogais “i” e “u” continuam a ser acentuadas se formarem hiato, mas estiverem sozinhas na sílaba ou seguidas de “s” (baú e baús) ou, em oxítonas, se forem precedidas de ditongo e estiverem no fim da palavra (tuiuiú).

2 – Trema

- É eliminado, mas a pronúncia continua a mesma.

Exemplos:  tranqüilo   tranquilo
freqüente   frequente

Observação: o sinal foi mantido em nomes próprios de origem estrangeira, bem como em seus derivados (como em Müller e mülleriano).

3 – Acento circunflexo

- Não é mais usado nas palavras terminadas em “oo”.

Exemplo:  enjôo   enjoo

- Também desaparece o circunflexo na conjugação da terceira pessoa do plural do presente do indicativo dos verbos crer, ler, ver e derivados.

Exemplo: lêem   leem

Observação: nada muda na acentuação dos verbos ter e vir e dos seus derivados.

4 – Acento diferencial

- Nos casos abaixo, não é mais usado para facilitar a identificação de palavras homófonas, ou seja, que têm a mesma pronúncia.

Exemplos:  pára (forma verbal) e para (preposição)
pelo (preposição + “o”) e pêlo (substantivo)

Observação: duas palavras continuarão recebendo o acento diferencial:
Pôr (verbo) mantém o circunflexo para que não seja confundido com a preposição por.
Pôde (verbo conjugado no passado) também mantém o acento para que não haja confusão com pode (o mesmo verbo no presente).

5 – Hífen

- Deixa de ser empregado quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa com as consoantes “s” ou “r”. A consoante, então, passa a ser duplicada.

Exemplo: anti-religioso   antirreligioso

- Caiu nos casos em que o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa com outra.

Exemplo: auto-estrada   autoestrada

Observação: ele se mantém quando o prefixo termina com “r” e o segundo elemento começa com a mesma letra, como em super-resistente.

Fontes: Revista Escola e Guia do estudante